´Vivemos um momento muito sensível´diz pastor contrário à reabertura dos templos
Uma das mais influentes lideranças evangélicas do município, o pastor Pedro Chagas, presidente da Igreja Lindinópolis, disse ontem à noite, através de um vídeo distribuido aos frequenmtadores da sua instituição religiosa, que não vai reabrir o templo no dia 31 de maio (conforme autorizado por um decreto municipal) e só vai fazê-lo para os cultos presenciais quando a situação na cidade for efetivamente favorável à iniciativa. "O momento que o município está passando ainda é um momento muito sensível, o vírus é ainda muito circulante, existe grande possibilidade de contágio", afirmou, se posicionando contrário à medida da Prefeitura, que considera as condições favoráveis, tomadas algumas medidas protetivas.
De acordo com o pastor, no momento, o melhor caminho a seguir "é manter a nossa conduta como até então temos mantido. Os cultos continuarão online e nossas atividades sociais, de acolhimento que vem mantendo no período de pandemia". Pedro Chagas conclamou a população a permanecer em casa, assegurando o isolamento social proposto por autoridades médicas, e disse que a igreja Lindinópolis continuará aberta. "O que está fechado é o nosso templo".
Outras igrejas evangélicas também anunciaram que não irão romper a decisão de celebrações online, mantendo os espaços físicos fechados durante a pandemia. Dentre elas, a Presbiteriana, localizada na rua Sete de Setembro, no centro, e a Batista Memorial, no Malhado.
Ontem, logo cedo, a Igreja Cat[olica já havia se posicionado. O bispo Dom Mauro Montagnolli disse que a decisão é fruto da compreensão de que a igreja é serva do Senhor da vida e busca testemunhar a fé, especialmente no cuidado com o outro". Dom Mauro Montagnolli informa que a decisão ocorreu após consultar os padres que atuam nas paróquias, "como pastor e pai, zelando pelo bem-estar de todos e por medida de preocupação e prudência".
Pressão
Durante semanas o prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre foi pressionado por lideranças evangélicas a anunciar a flexibilização nos templos religiosos. Houve casos que, até mesmo diante a proibição de funcionamento, alguns templos, especialmente os localizados em bairros periféricos, terem funcionado ilegalmente. Fiscais chegaram a atuar no fechamento e multa, "mas sempre aparecia um político para mudar a ordem natural das coisas", informou um dos fiscais que atuam na Prefeitura.
Com força eleitoral entre as igrejas evangélicas, o prefeito não teve como suportar a pressão e, esta semana, publicou um decreto liberando a reabertura, com algumas exigências de segurança e higienização. A medida acabou dividindo as religiões e ontem alguns segmentos reagiram contra a medida, alegando que a realidade da pandemia em Ilhéus ainda não permite os encontros presenciais.
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